Poiso a mão vagarosa no capô dos carros como se afagasse a crina dum cavalo.
Vêm mortos de sede.
Julgo que se perderam no deserto e o seu destino é apenas terem pressa.
Neste emprego, ouço o ruído da engrenagem, o suave movimento do mundo a acelerar-se pouco a pouco.

Quem sou eu, no entanto, que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os sonhos de quem passa?

terça-feira, setembro 06, 2005

Aroma do Avante...

"E bate palmas, bate palmas!
Bate palmas sem parar!
(...)
E agora acabou e ninguém se enganou!..."

Grande Brigada!!!
Meco 2005 Posted by Picasa
Lua?! Posted by Picasa
Tentativas... Posted by Picasa

quinta-feira, julho 07, 2005

Olá Querida

Existem dias em tudo se transforma e pensamos que será da nossa existência, sentimo-nos perdidos e cada olhar, para nós é importante.
Já me senti assim, já me senti a querer crescer, já me senti com vontade de me esconder , como em pequena, num esconderijo, que só eu sabia e os adultos até achavam graça...
Pois, hoje até tenho tamanho para me esconder mas não tenho a mesma imaginação e o medo de estar sozinha é maior, talvez por já não ser uma brincadeira e ser a realidade...
Penso em ti , avó, várias vezes e felizmente ainda me dizes "Olá querida" pelo menos é o que a minha mente ouve antes de adormecer...
Para a Clarisse...

terça-feira, junho 14, 2005

Ao que se foi

Se chegar amanhã o dia em que o pássaro vai ser libertado...
Serás livre e gritarás bem alto a todos os ventos, torrentes e tempestades, que o dia nasceu de novo e não vai nunca morrer sozinho.
A liberdade quando nasce é para todos...

Até amanhã



Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de epunha
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, eijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias

Eugénio de Andrade
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quarta-feira, junho 08, 2005

"Janelas para o mundo" Posted by Hello
"Pinceis" Posted by Hello
"Mãos que Criam" Posted by Hello
"Mãos que Criam" Posted by Hello
VI Feira de Artesanato Posted by Hello

Na feira dos sonhos...

No passado mês de Maio tive o enorme prazer de participar na VI Feira de Artesanato - "Mãos que Criam" da Junta de Freguesia dos Prazeres. O local escolhido, semelhante a anos anteriores, foi a Praça da Armada e o ambiente foi incrível!
Foram cinco dias de partilha, de amizade, de diversão, de conforto, de poesia, de pintura, de bordados, de cerâmica, de madeira, de metais... Coisas raras de encontar no nosso quotidiano, infelizmente.
E isto tudo existiu porque todos os que participaram, todos os artesãos, trabalharam para o mesmo fim, empenharam-se mais um ano neste encontro, nesta comunhão de saberes e experiências.
Existem coisas na vida que nos fazem renascer, nesta feira aconteceu-me isso e fiquei muito feliz!


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"Afortunada será sempre a existência que, atenta ao mundo tanto quanto lhe permitem as suas inúmeras ou escassas restrições, não desiste de partilhar com as existências vizinhas o horizonte de humanidade que o destino lhe proporcionou."
Mário Claúdio
Revista "Cais", (59) 2001

terça-feira, junho 07, 2005

Peças


Gaivotas rosas e azuis que esperam que o futuro aconteça...
Imagem intacta à espera que lhe toquem...
Um futuro que espera que o presente aconteça...
E o que espera o Português? Posted by Hello

quinta-feira, maio 05, 2005

Para Partilhar...

(...)
Desço
para o centro da terra,
atravessando o sono inicial
dos fetos líquidos dos lagos.

E passando, levemente acordo
os profundíssimos olhos verdes, vagos,
das águas esperando
o calor filial dos peixes.

No dorso deste espírito dolorido
que flutua pelas eternas penumbras,
cavalgo devassando as fostes da vida
donde goteja um leite amargo e turvo.

(E descendo
é como se descesse dentro de mim
nas cobardias-detritos das águas,
nos heroísmos-resíduos das fráguas.

E seja por que for
no suor anónimo das mágoas).
(...)
Carlos de Oliveira- Descida aos Infernos

terça-feira, abril 26, 2005

Uma boa recordação... Posted by Hello

sexta-feira, abril 22, 2005

Cravos, balões, alegria e esperança!

Hoje já senti o cheiro do 25 de Abril!


Estive presente numa iniciativa que a Junta dos Prazeres realizou na Praça da Armada.
É sempre bom lembrar, ensinar e aprender aquilo que nos deu o 25 de Abril.
E juntar crianças, jovens e adultos nesta iniciativa foi uma grande ideia e proporcionou a todos uma manhã maravilhosa!
Parabéns Prazeres!!!

quarta-feira, abril 20, 2005

Corpo Posted by Hello


O corpo, emoção de palavras soltas que escapam da boca para o chão. O corpo que as apanha para trazer de volta à terra. Corpo de um eixo que equilibra o movimento das palavras que saltam e vibram para fora de nós.
O corpo, carne que aquece a alma, que transforma as emoções em algo real de uma matéria palpável.
O corpo que viaja nos sonhos, acompanhando a mente em deambulações levianas na busca do prazer escondido e censurado.
Corpo sereno em dias de Outono, flutuante como folhas que caiem de um vento. Corpo mole estendido no chão...este será no Verão. Corpo fresco, vigoroso e fecundo, na Primavera quando a fruta é suculenta, sumo que escorrega e acaricia da boca até ao peito, bem perto do Coração!

sexta-feira, abril 15, 2005

Vamos pensar?...

No outro dia dei comigo a pensar como este mundo anda ao contrário...Vinha a andar pelos Prazeres ( a minha Freguesia) quando reparei na quantidade de pessoas mais velhas, não aquele tipo de idosos que nos lembramos sempre, mas pessoas que têm às suas costas o fardo de sustentarem uma família.
Eu conheço muitos casos de avós que sustentam os filhos e os netos com as suas miseráveis... reformas!!! Isto para mim é incrivel! Parece que houve um hiato nas gerações, os avós ficaram a cuidar dos netos e os pais desses netos dependentes dos avós.
O problema ainda aumenta quando pensamos que muitos desses avós já estão sozinhos, quase todos viúvos e alguns até têm escrito no B.I. "Solteiro". Pela experiência que tenho a maioria são mulheres com mais de 60 anos, sozinhas, a ganhar para alimentar e cuidar dos filhos ( alguns com graves problemas de inserção social, de dependências e muitas vezes desempregados) e dos netos, que ás vezes são muitos e com idades variadas.
Depois deste cenário será que ninguém pensa nesta população ainda tão activa? É certo que eles de solidão, aparentemente, não sofrem, têm a casa cheia; aparentemente também não sofrem de graves problemas de saúde, porque se sofrerem têm que se conter e nem têm tempo para ir ao médico. Mas não seria altura de poderem estar mais descansados a gozar o pouco dinheiro da reforma e poderem ser activos de livre vontade, em vez de o serem por obrigação para manter de pé uma casa a transbordar de gente?
E no fim disto tudo, pergunto:
Quando eles morrerem o que vai acontecer a estas tantas, tantas e tantas famílias?
O que vai acontecer a tantas crianças e a tantos jovens dependentes destes avós esquecidos?
Isto não é um problema apenas da terceira idade, dos reformados. Isto é um grave problema social e portanto, um problema de todos nós!

terça-feira, abril 12, 2005

Não há música que cante o que sinto. O barulho do vento chega-me... Posted by Hello