Poiso a mão vagarosa no capô dos carros como se afagasse a crina dum cavalo.
Vêm mortos de sede.
Julgo que se perderam no deserto e o seu destino é apenas terem pressa.
Neste emprego, ouço o ruído da engrenagem, o suave movimento do mundo a acelerar-se pouco a pouco.

Quem sou eu, no entanto, que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os sonhos de quem passa?

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Saudade?

Ao ouvir Sétima Legião ponho-me a pensar em tempos que já lá vão, a Saudade...dizem eles, é de facto saudade o que ás vezes sinto ou falta daquele conforto familiar que nos fazia aproximar mais da pureza e da inocência de um poeta?
Alberto Caeiro fala do não pensar e é mesmo isso! Não era preciso pensar havia sempre alguém que fazia esse trabalho, ou os pais, ou os avós, ou até mesmo os tios.
Estes últimos eram jovens na altura, viviam uma juventude mais inocente, as relações eram mais próximas, ninguém falava através de máquinas ou aparelhos...
Não é a visão de que o passado era bem melhor, ou a célebre frase "Antigamente era tudo melhor!...Agora?..." Mas sim, a lembrança de um tempo de pureza e inocência, aquele tempo confortável de criança e de adolescente que gostamos tanto de lembrar...
A saudade...Sentimento terrível e tão português...

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